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A raiva e os cães que dormem no Centro de São Paulo

26/04/2019

Há um vírus mortal que é transmitido para as pessoas pela saliva de animais infectados. Por meio da mordida desse animal, há grandes chances da transmissão da raiva, causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabhdoviridae. No Brasil, gatos e cães são os principais transmissores da doença. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, salivação excessiva, espasmos musculares, paralisia e confusão mental. Não há tratamento específico para a raiva. Depois que os sintomas aparecem, a doença é quase sempre fatal.

No ano de 2018, foram registrados 11 casos de raiva humana no Brasil. Destes, 10 relacionados a um surto em área ribeirinha do município de Melgaço, no estado do Pará, onde 9/10 eram menores de 18 anos e todos com histórico de espoliação por morcegos e sem realização de profilaxia antirrábica pós-exposição. E o decimo primeiro caso registrado, foi um homem morador do estado do Paraná, espoliado por morcego em Ubatuba, no estado de São Paulo, e buscou atendimento e realização de profilaxia antirrábica 12 dias após exposição.

Uma vacina pode prevenir a infecção

 A raiva pode ser indício de vários sintomas. As pessoas podem ter dores locais (músculos); no corpo: fadiga, febre, inquietação, mal-estar, perda de apetite ou tontura; Sintomas psicológicos: (alucinação, delírio ou medo); no aparelho gastrointestinal: (náusea ou vômito); sensorial: (formigamento ou sensibilidade à luz); no comportamento: agressão ou irritabilidade. Também é comum: ansiedade, baba, coma, confusão mental, convulsões, dificuldade em engolir, dor de cabeça, pupila dilatada ou torcicolo.


Há milhares de pessoas em situação de rua na capital paulista. Muitos deles têm algum animal de estimação, que passa a ser seu único aliado, companhia de todas as horas.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Saúde, oferece gratuitamente a "Vacinação contra Raiva Animal em Cães e Gatos", com Campanhas periódicas. Embora a raiva esteja controlada nessas espécies, isso não isenta a responsabilidade da sociedade na vacinação anual que, além de obrigatória por lei, é o fator de maior relevância para garantir a manutenção de controle da raiva nas populações de cães e gatos e por consequência para a população humana.

O município de São Paulo oferece vacinação contra raiva para esses animais em Posto Permanente na Divisão de Vigilância de Zoonoses e outros disponibilizados na UVIS. 

Entretanto, o proprietário deve identificar, no comprovante de vacinação, o nome do animal e nº do Registro Geral Animal - RGA. Este comprovante é um documento, atestando a vacinação contra a raiva do seu animal, com validade de um ano.

Há algumas informações e regras que devem ser consideradas e seguidas, tais como: "a partir dos três meses de idade, cães e gatos saudáveis devem ser vacinados contra raiva de forma anual; cães e gatos devem estar saudáveis, animais com diarreias, em tratamento ou convalescendo de cirurgias devem aguardar a recuperação; Ofereça água e alimentação, normalmente, após a vacinação".

Algumas exigências dos locais oficiais de acolhimento dos animais são utópicas para a realidade de seus donos. "Cães bravios ou mordedores, de qualquer espécie, devem utilizar focinheira apropriada; os gatos devem ser transportados em caixas apropriadas e em segurança", recomenda a DVZ.

A DVZ (Divisão de Vigilância de Zoonoses) fica localizada em Santana, na Zona Norte da capital (R. Santa Eulália, 86). Muitos não sabem, mas é possível fazer uma solicitação através do telefone central da prefeitura: 156.

Os moradores em situação de rua já vivem "invisíveis" perante grande parte da sociedade. Se os próprios vivem diariamente lutando pelo mínimo para sobrevivência, as dificuldades aumentam quando eles pensam em como cuidar de seus cachorros, seus únicos companheiros, ainda mais sob regras e burocracias. A falta de dinheiro para levar seus animais através de transporte público, já que a maioria vive na região central, para levar a DVZ na Zona Norte; a ausência de caixas apropriadas para que o animal se transporte; são agravantes quando se fala em cuidados médicos.

 

Mundo cão

O último censo divulgado pela Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) informava que 16 mil pessoas estavam em situação de rua na capital paulista no ano de 2015.

Já em 2018, os números subiram para 20 mil (expectativa da Prefeitura), mas os cálculos oficiais são ainda menores que as estimativas de quem conhece as ruas de São Paulo de perto, que é o caso de Robson Mendonça, presidente do Movimento Estadual da População de Rua de São Paulo, que vem há anos questionando a metodologia do censo e aposta em um número muito maior.

"Quando eles falavam em 16 mil, a gente já falava em 22 mil. E agora, nós acreditamos que temos na cidade cerca de 32 mil pessoas em situação de rua. Porque se ela aumentava antes mil pessoas por ano, agora está aumentando 1,5 mil pessoas por ano."

De acordo com Robson, uma boa medida é olhar para a lotação dos abrigos e centros de acolhida. "Quem já precisou dos serviços da Prefeitura sabe que as vagas em abrigos são disputadas e que nem sempre dá pra juntar dinheiro suficiente, seja com trabalho formal ou informal, para garantir o sustento e ainda ter tempo para as cumprir as regras dos abrigos".

Os Centros Temporários de Acolhimento (CTA) foram criados em 2017. O serviço é para atender os moradores de rua e oferecer um lugar para dormir, tomar banho, se alimentar. Na cidade de São Paulo existem 19 CTAs.

As péssimas condições dos CTAs (Centros Temporários de Acolhimento de SP) são um agravante para os que desejam minimamente ter um canto para dormir. A Promotoria de Direitos Humanos do Ministério público está em fase de investigação dos locais. De janeiro do ano passado até março deste ano, a Ouvidoria da Câmara Municipal recebeu 32 queixas.

Entre os problemas apresentados no relatório estão banheiros sem condições básicas de uso, condições de higiene precárias em todos os setores dos centros de acolhida. Em abril, a Vigilância Sanitária interditou um CTA da região central, ao encontrarem ovos de larvas nas instalações, além de comida estragada e má higiene.

 

Cão que ladra não morde

No final do mês de março, o secretário de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo, José Castro, entregou o cargo após denúncias de problemas em contratos milionários da Prefeitura com a ONG responsável por sete dos dezenove Centros Temporários de Acolhimento (CTAs) da cidade de São Paulo

Se o cenário é desanimador para os moradores, a situação de seus animais pode ser ainda pior.

Para tentar minimizar essas dificuldades, há uma ONG que auxilia esse grupo pelas ruas da capital. "Moradores de Rua e Seus Cães" realiza mensalmente a distribuição de café de manhã e kit de higiene para os humanos. Os bichos podem ganhar um banho, tomar vacinas, serem vermifugados e comer.

Mas, pela primeira vez nos três anos em que existe a ação, a Prefeitura Regional da Sé negou sua autorização.

Nos últimos meses, nove abrigos com canis foram inaugurados na capital, justamente para atrair as pessoas em situação de rua que não querem se separar dos seus bichos de estimação.

Um dos motivos que leva pessoas em situação de rua a não procurar os abrigos é que muitas vezes seus cães têm de ficar do lado de fora, ou não podem entrar nos albergues. A estimativa é de que há 4 cães a cada 10 moradores em situação de rua.

A artesã Beatriz Silva, que dorme nas ruas do centro há 18 dos seus 25 anos, recebeu a notícia da proibição enquanto segurava no colo seu cão, Malhado, 11, que estava com medo do barulho do escapamento de uma moto.

"É muita ruindade ter de passar por isso. Tem que deixar ajudar o animal. O animal é melhor que o ser humano", disse a artesã.

Um dia após ser procurada pela mídia, a Prefeitura Regional da Sé afirmou em nota que apenas "sugeriu que o evento fosse realizado num dos CTAs, onde há canil e espaço apropriado para banho dos cães", e posteriormente, suspendeu a proibição.


Fontes consultadas: Justificando; G1, Prefeitura de SP, Ministério da Saúde.

Reportagem: André Baldini

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