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Procura-se o autor desta pintura

05/08/2008

30/06/08

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Procura-se o autor desta pintura

 

Dayan de Castro

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Ajude a encontrar o autor desta pintura

Por Ana Maria Ciccacio

 

Ela está quase apagada, sofreu muito com as enchentes que invadiam o saguão do bloco residencial do Edifício Brasilar, no Anhangabaú, até anos atrás. Tem valor artístico, como acredita o curador de arte Fábio Magalhães, ex-presidente da Pinacoteca, do Masp e do Memorial da América Latina, mas para salvá-la é preciso saber, primeiro, o nome de seu autor. Quem souber ou tiver pistas para se chegar a ele, clique aqui para informar.

 

O Edifício Brasilar, com frentes para a Rua Quirino de Andrade, Largo da Memória e Avenida 9 de Julho, foi edificado pela Construtora Capua & Capua nos anos 1940 para o Banco Hipotecário Lar Brasileiro, recebendo alvará de funcionamento em 1949. Sua arquitetura moderna, com algum toque art déco, incorporou os avanços tecnológicos disponíveis na época. O prédio tem 24 andares, é formado por dois blocos ligados parede e meia, mas independentes entre si ? um destinado a apartamentos (Bloco Residencial, nº 70 da Avenida 9 de Julho, onde está a pintura) e outro a escritórios (Bloco Comercial, nº 40, da mesma avenida).

 

Durante anos, quando o Anhangabaú alagava por ocasião dos temporais de verão, o saguão do Brasilar inundava, chegando as águas quase à altura da metade do afresco. A destruição pelas águas foi estancada. As bombas de sucção d?água instaladas no túnel do Anhangabaú passam por vistorias freqüentes e, acionadas, têm funcionado bem. Apesar disso, camadas do reboco que dão suporte à pintura começaram a se desprender da parede, levando com elas partes da composição. Do jeito que está, a pintura não resistirá por muitos anos mais depois dos tantos em que já foi agredida.

 

Dayan de Castro

Edifício Brasilar, em cujo saguão se acha a pintura

?Precisamos restaurar essa pintura?, afirma o artista plástico Pedro de Kastro, que cerrou fileiras com dona Edeildes Soares, síndica do Edifício Brasilar e membro da Diretoria da Ação Local Ladeira da Memória, um dos núcleos do Programa Ações Locais da Associação Viva o Centro, em cuja área de atuação fica esse prédio, com o intuito de recuperá-la. ?Tenho a intuição de que ela tem valor cultural para o Centro de São Paulo. Posso perceber isso no que ainda resta.?

 

A composição, com tratamento cubista, retrata um casal bem vestido à esquerda, figuras do povo ao centro e, à direita, um homem de fraque e cartola em primeiro plano, tendo ao lado um acompanhante que pode ser um funcionário seu ou um funcionário público. Ao fundo vê-se o Obelisco do Piques, o monumento mais antigo da cidade, localizado no Largo da Memória, e, em último plano, provavelmente a Várzea do Carmo com as edificações do Pátio do Colégio um pouco à frente, no alto. As feições das figuras ao centro são as mais marcantes e de melhor fatura pictórica, apesar de tão danificadas quanto às demais. 

 

Dupla pró-ativa

 

Kastro, morador do Brasilar, com trabalhos reproduzidos em grandes veículos de comunicação e também na revista urbs, da Viva o Centro, além de uma elogiada exposição no espaço mantido pelo Instituto Moreira Salles no Shopping Frei Caneca, no ano passado, está empenhado em salvar a obra. ?A assinatura do artista desapareceu junto com a pintura que existia na base da composição, mas se alguém tiver fotos ou desenhos dela, ou um catálogo onde ela foi reproduzida, especialistas em restauro terão como reconstituí-la?, confia.   

 

Site skyscrapercity.com

Reprodução de um cartão postal com o Brasilar nos anos 1960

Dona Edeildes, por sua vez, sonha ver a pintura recuperada e, na seqüência, quem sabe o Brasilar tombado pelo patrimônio histórico. ?As duas coisas poderiam levar o edifício a um restauro geral, o que lhe devolveria a majestade.? De sua parte, ela já esteve tanto no Condephaat quanto no Conpresp, em busca de informações sobre a pintura, mas sem êxito. ?Parece que ninguém sabe me dizer quem fez esse trabalho.? Numa pasta, ela guarda fotos com a composição desbotada e ofícios, muitos ofícios, embora nada consistente que a ajude a identificar a pintura. ?Ainda não desisti porque tenho esperanças?, diz.

 

Influência cubista

 

Foi graças à insistência de Edeildes e Kastro que o especialista em artes plásticas, Fábio Magalhães, atendeu a convite da Viva o Centro para vir ao Anhangabaú e visitar o saguão do Brasilar numa ensolarada manhã do outono passado. Os dois queriam saber se valeria à pena continuar lutando para encontrar o autor da pintura e recuperar o trabalho. 

 

Magalhães não soube dizer de quem possa ser o afresco, mas percebeu nele influências do cubismo, acha que é uma obra interessante, com referências a alguns ícones do Centro Histórico, e ficou de consultar outros especialistas. Quem sabe alguém possa dar pistas sobre sua autoria e valor artístico. Segundo Magalhães, de imediato seria necessária uma intervenção para ?estancar o processo de deterioro em que se encontra a obra?, pois quanto mais tempo ela ficar sem tratamento, mais difícil será recuperá-la. O problema é que os moradores do edifício não têm como arcar com as despesas. ?Precisamos que alguma empresa se interesse em patrocinar o restauro?, diz dona Edeildes. O Brasilar é habitado por famílias de classe média baixa.

 

Se alguém souber de quem é a obra, quando foi feita e se existe alguma foto ainda nítida da pintura que possa orientar o restauro, e, quem sabe, até conter a assinatura do autor, pode entrar em contato com a Viva o Centro clicando aqui. Toda e qualquer informação que possa ajudar a reavê-la terá utilidade.

 

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