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Sociedade discute segurança na Aula São Paulo

15/05/2009

Sociedade discute segurança na Aula São Paulo

 

Por Wellington Alves

 

Lydia de Santis

Inspetores da Guarda Civil Metropolitana presentes na Aula São Paulo sobre segurança

Depois da terceira onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) que abalou todo o Estado de São Paulo pela brutalidade como atingiu a população, a Aula São Paulo, seminários promovidos pela Secretaria Municipal de Relações Internacionais da Prefeitura, dedicou a última edição, na quinta-feira (11/8), ao tema ?Segurança Cidadã e a Redução da Violência?. Participaram 147 pessoas do evento, sendo que cerca de um terço do público era composto por guardas civis municipais e por policiais militares.

 

O encontro foi aberto pela secretária de Relações Internacionais, Helena Maria Gasparian, e contou com as palestras de Carolina Ricardo, coordenadora da área de políticas municipais de segurança do Instituto Sou da Paz, e dos colombianos Hugo Acero Velásquez, coordenador do Programa Segurança Cidadã da Prefeitura de Bogotá, e de Alonso Salazar, secretário de Governo da Prefeitura de Medellín. Também participaram do evento o presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos, José Gregori, e o secretário municipal de Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

 

As experiências de Bogotá e Medellín chamaram especialmente a atenção dos presentes porque as duas cidades colombianas conseguiram reduzir de modo significativo os índices de violência nos últimos anos, o que propiciou a retomada do crescimento, apesar de ambas as cidades pertencer a um país em desenvolvimento que começa a reverter sua imagem ainda estigmatizada pelo tráfico. 

 

Bons resultados

 

Medellín é a segunda maior cidade em importância econômica da Colômbia. Possui mais de três milhões de habitantes e é o principal centro industrial do país. Se no começo da década de 1990, o local era conhecido pelo chamado Cartel de Medellín, uma grande rede de narcotráfico, extremamente organizada, hoje a situação já está se invertendo.

 

Salazar disse que na Colômbia sempre se procurava entender o motivo da origem da criminalidade. Para ele, a pobreza é um grande precursor, mas não há uma relação determinista na questão da violência, e o narcotráfico ?é um grande protesto daqueles que não se sentem participativos na democracia e no contexto social?.

 

E como combater a criminalidade? Em Medellín, foi observando a vontade da população local que se chegou a algumas respostas. A comunicação foi uma janela percebida rapidamente. Um canal de televisão da região colocou no ar um programa para mostrar os problemas da cidade, no entanto as pessoas não gostaram, pois queriam ver na TV um programa que destasse a cultura do lugar. E não foi só isso. A Prefeitura de Medellín desenvolveu um Manual de Convivência na Cidade, como meio de prevenção contra a violência, e 35 mil habitantes participaram de sua formulação.

 

Salazar destacou o trabalho da polícia. ?Uma polícia bem qualificada e reconhecida socialmente é de fundamental importância para a sociedade?, opina. As pessoas queriam que a cidade fosse conhecida pelos seus atrativos e não pela violência. Mas, se Medellín apresentou melhoras, muito se deve a Bogotá, capital colombiana que tem 8 milhões de habitantes e há mais de uma década começou sua requalificação e colhe resultados expressivos na segurança, no transporte e na educação.

 

Bogotá

 

Acero falou que em 1993 Bogotá era a cidade mais violenta da Colômbia e hoje esse quadro se inverteu totalmente, pois no ano citado a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes chegou a 80, e dez anos depois o número caiu para 23 homicídios para o mesmo grupo de habitantes. Acero ainda polemizou: ?A pobreza não é a causa da violência?.

 

O coordenador do Programa Segurança Cidadã foi enfático ao dizer que fazer a cidade segura é fazê-la também mais competitiva, mostrando com orgulho um editorial do New York Times, que aconselhava os leitores a conhecerem Bogotá. Tal iniciativa não seria esperada por parte do jornal norte-americano 10 anos antes.

 

No caso específico de Bogotá, Acero disse que a Prefeitura chegou à conclusão de que todo foco de violência é previsível. Então, a cidade buscou conhecer programas bem sucedidos em outras cidades do mundo, como Barcelona, Madrid e Nova York. No entanto, perguntava-se: como se iniciou o processo de redução dos índices de violência? Acero disse que foi a partir do trabalho no comportamento dos cidadãos e da recuperação do espaço público, por isso foi elaborado um plano de convivência.

 

Em Bogotá, trabalham-se os dados para se conhecer os focos de incidência na violência urbana. ?Hoje sabemos desde as regiões em que mais ocorrem crimes e os horários destes, até a cor preferida para roubo de carros?, relata. Ele afirma que os bandidos normalmente sempre fazem a mesma coisa, então, com um plano de metas e prevenção é mais fácil evitar os incidentes.

 

Hoje, 68% dos habitantes de Bogotá confiam em sua polícia. Para Acero, ?um policial sem comunicação é um policial só?. Lugares com maior incidência de violência têm um número maior de policiais, e a esses lugares são enviados os melhores policiais, sendo que os piores não ficam afastados, mas vão monitorar a segurança em locais com pouca violência, apenas para manter a ordem no espaço público.

 

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