Uma entidade promotora de desenvolvimento urbano, social e funcional no Centro de São Paulo.
Saiba Mais +Visam fortalecer a comunidade do Centro de São Paulo e melhorar a qualidade do espaço público da área.
Saiba Mais +Mais de 4 mil títulos e mais de 18 mil imagens.
Saiba Mais +Associe-se, seja um voluntário, participe de nossos programas, projetos e campanhas. Usufrua da Rede de Benefícios Viva o Centro.
Saiba Mais +O Centro ao seu alcance. Venha viver o Centro!
Saiba Mais +O que vai pela Viva o Centro, nas Ações Locais e no cotidiano da região. Envie a sua informação.
Saiba Mais +
Recentemente, Gil Carvalho se tornou diretor de Planejamento Estratégico e de Projetos da associação Viva o Centro. E faz planos. Para ele, a cidade precisa de um choque de gestão. "A ideia é inserir o Centro de São Paulo no mapa do turismo mundial", disse. Ele pretende apresentar em breve um projeto "para que a gente consiga recuperar, reurbanizar e requalificar a região, e ter toda essa vida de todo grande Centro como a gente conhece". Isso inclui isentar futuros moradores de aluguel por até um ano e instalar uma Broadway na metrópole.
AGÊNCIA DC NEWS - Nos últimos anos, tivemos certo retorno
de empresas para o Centro. Há uma reversão daquela tendência de
esvaziamento?
GIL CARVALHO - É muito lento. Realmente, há algumas empresas
que vieram, mas, infelizmente, são coisas pontuais. Nós temos que
dar um choque, uma ação de certa forma acelere esse processo.
Escavações no Centro Histórico revelam os trilhos dos primeiros bondes que rodaram na cidade
Valter Caldana, arquiteto e urbanista: "O Centro de São Paulo não precisa ser revitalizado. Precisa ser bem cuidado"
AGÊNCIA DC NEWS - O que poderia ser feito?
GIL CARVALHO -Uma das alternativas é criar isenção de aluguel
para quem vier para o Centro. Um ano sem aluguel. Só paga IPTU. Aí
o cara deixa de botar a mão no bolso e a prefeitura não deixa de
receber. Paga IPTU, água, luz. Primeiro ano zero, segundo ano, meio
aluguel, depois regulariza. É fundamental que a gente consiga
trazer habitação para o Centro. Criar realmente um movimento, para
que a coisa aconteça e a gente consiga ter circulação grande de
pessoas. Porque o comércio vive dessa circulação. Nós temos
aqui 2 milhões de metros quadrados parados.
AGÊNCIA DC NEWS - De que área estamos falando?
GIL CARVALHO - Corresponde a 33 mil habitações de 60
metros quadrados. Agora saiu essa lei do retrofit. Estamos
trabalhando nisso, é um campo muito fértil para o mercado
imobiliário. Mas não basta só isso.
AGÊNCIA DC NEWS - O que mais é necessário?
GIL CARVALHO - Não adianta só arrumar a moradia, tem que
arrumar a base. Eu traria também as indústrias criativas, para
fomentar o trabalho. Foram as indústrias criativas que salvaram
Londres, que também estava com esse tipo de problema. Traria, por
exemplo, as universidades. E, principalmente, para que o Centro
tivesse mais aderência, criar aqui um grande polo tecnológico, com
as grandes multinacionais, para aí sim ter uma requalificação de
tudo isso, não só do trabalho, mas das pessoas, dos costumes, para
dar uma vida efetiva ao Centro, com qualidade, segurança e
produtividade.
AGÊNCIA DC NEWS - Programas de estímulo da administração
municipal (Requalifica, Triângulo Histórico) não bastam?
GIL CARVALHO - São importantes porque estão falando com
o comércio. Mas eu digo o seguinte: é o conjunto. Para a gente
pode trazer vida, para que as pessoas tenham prazer, tenham
necessidade, ou até seja objeto de desejo morar no Centro.
Precisamos ver tudo isso funcionando junto. A gente vê neste
momento uma vontade política também acontecendo, por parte do
governador, que está trazendo a máquina pública para Campos
Elíseos.
AGÊNCIA DC NEWS - O Centro Administrativo pode ter efeito
multiplicador?
GIL CARVALHO - É a hora de a gente fomentar esse retrofit
todo, para que acolha e dê condições de moradia. Vamos evitar esse
problema de mobilidade. A cidade vai crescendo na franja, vai
esparramando mais, a pessoa leva três horas para ir, para voltar.
Se mora no Centro, tem uma economia muito grande, dos equipamentos
e dele também. Por isso é importante a verticalização. Porque é [no
Centro] que está a infraestrutura.
AGÊNCIA DC NEWS - Onde isso acontece?
GIL CARVALHO - O modelo mais acabado é Hong Kong, com espaço
menor tem aquela quantidade [maior] de moradias. Está tudo
concentrado no Centro. Isso acabaria trazendo uma forma de suprir
essa demanda de moradias em São Paulo. Se o mercado imobiliário não
consegue atender a essa demanda, acumula para o ano seguinte e
continua a aumentar.
AGÊNCIA DC NEWS - O que mais pode ser feito pelo poder
público?
GIL CARVALHO - Uma situação interessante que o próprio
governador colocou seria trazer a Polícia Militar para morar no
Centro. Porque aí nós teríamos duas situações: uma de beneficiar o
policial militar, que não pode sair fardado por questões de
segurança. Aqui ele moraria dignamente e estaria com o olhar
vigilante pelo local onde ele mora. É uma proposta muito
interessante.
AGÊNCIA DC NEWS - E a proposta apresentada pela prefeitura
de ter um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na região
central?
GIL CARVALHO - É importante você ter intervenções de
mobilidade. Porque as pessoas deixam de vir, ou vêm muito pouco. Se
você pegar uma cidade como Paris, você tem lá 40 milhões de
turistas por ano [47,5 milhões em 2023, sendo 45% estrangeiros].
Você vai para Gramado, tem quase 9 milhões [foram 8,2 milhões em
2023 e aproximadamente 6,5 milhões no ano passado, por causa dos
efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul, segundo a Secretaria
Municipal de Turismo]. Aqui em São Paulo, é mínimo [todo o estado
recebeu 2,3 milhões de turistas estrangeiros em 2024, segundo o
Ministério do Turismo].
AGÊNCIA DC NEWS - Você falou em tornar São Paulo uma
Brodway.
GIL CARVALHO - É um projeto que eu quero apresentar. A
primeira coisa é criar uma identidade para São Paulo.
AGÊNCIA DC NEWS - E onde você a imagina?
GIL CARVALHO - O Viaduto do Chá, que é uma imagem forte, é uma
passarela, na verdade. Liga o Centro antigo ao novo. Você vai da
praça da Patriarca até a praça da República. Plano, completamente
plano. Eu implementaria nessa região uma Times Square [região de
Nova York conhecida pelas opções culturais e de entretenimento],
para gerar essa imagem forte. Para qualquer turista que tire uma
foto, e você saiba que é São Paulo.
AGÊNCIA DC NEWS - Ocupando essa região…
GIL CARVALHO - É o quadrilátero que existe entre a praça
Ramos, com a Ipiranga, a São João e a São Luís. Esse quadrilátero
precisa ser totalmente requalificado. É uma região muito rica. Essa
região tem vários cinemas fechados. Você vai descendo por trás do
Teatro Municipal, na [rua] Conselheiro Crispiano, tem o cine
Marrocos, cine Paissandu, Art Palácio, Olido… fechados, depois mais
casas de shows na sequência, fechadas. Você vai na São Luís, a
Galeria Metrópole, coisa mais linda, um cinema de 700 lugares,
fechado. Então, a ideia é que tenhamos essa Times Square, com esse
impacto visual e ao mesmo tempo um conjunto para o turista poder
utilizar. Broadway no sentido maior da palavra.
AGÊNCIA DC NEWS - O que significa esse 'sentido
maior'?
GIL CARVALHO - Não é só cinema, teatro. Pode ser teatro, pode
ser um aquário, um planetário, casa de shows, coisas que deem vida.
Aí vêm bares, restaurantes, tudo junto. E não precisa construir
nada. Está tudo pronto. Precisa dar uma cara nova, uma programação
nova. A ideia é criar um shopping a céu aberto, um mall, mas com
cara mais humana, um paisagismo bacana, que tenha mais vida, mais
acolhimento.
AGÊNCIA DC NEWS - Uma certa ressignificação de
espaços…
GIL CARVALHO - Até brinquei dizendo que gostaria de
transformar a rua São Bento na Oscar Freire do Centro Histórico,
para que as pessoas possam passear, se divertir e morar. É
exatamente o que acontece com qualquer capital no mundo.
AGÊNCIA DC NEWS - Você já falou em cidades inteligentes e
medíocres. São Paulo está conseguindo migrar para esse
pensamento?
GIL CARVALHO - Eu falo nessa questão da mediocridade em
relação aos indicadores construtivos. Nós temos quatro, seis vezes
de potencial construtivo do Centro. Em Nova York, são 16, 20 vezes
a área do terreno. É preciso realmente fomentar essa
verticalização. Nós temos essa amarra. Tivemos um Plano Diretor
novo, que poderia buscar alguma coisa um pouco melhor, mas continua
mais ou menos o que já existia.
AGÊNCIA DC NEWS - O que seria um obstáculo?
GIL CARVALHO - Do ponto de vista social é que mais me
preocupa. Não tem por que investir e fazer tudo isso se a gente não
se preocupar com o ser humano, com essas pessoas que vivem jogadas
na cidade, infelizmente até fomentadas por ONGs. Precisamos cuidar
primeiro dessas pessoas.
AGÊNCIA DC NEWS - De que maneira?
GIL CARVALHO - Existe dinheiro, as empresas podem fazer esse
trabalho, nós temos um projeto em que isso poderia ser implementado
em bem pouco tempo. Precisa vontade política, tempo e interesse
maior para resolver.
Creditos
Por Vitor Nuzzi30 de Março, 2025 - 9:45Atualizado em 31 de
Março, 2025 - 9:32
Fonte: